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Terça, 12 Março 2019 17:44

Medalha Theodosina Ribeiro homenageia 16 mulheres

Medalha Theodosina Ribeiro homenageia 16 mulheres Foto: José Antonio Teixeira

Com o intuito de ressaltar a importância do empoderamento de mulheres negras no contexto social, político e histórico, a Alesp concedeu a Medalha Theodosina Ribeiro a 16 mulheres, na segunda-feira (11/3), no plenário Juscelino Kubitschek. Segundo a deputada Leci Brandão (PCdoB), responsável pela 7ª edição do prêmio, a condecoração relaciona-se a questões voluntárias e ações sociais, marcadas por envolvimento com e ajuda ao próximo.

Publicado originalmente no Portal Alesp

11/03/2019 16:29 | Sessão Solene | Isabella Tuma - Foto: José Antonio Teixeira

As homenageadas da noite foram Ana Maria Martins Soares, Beth Beli, Bia Ferreira, Djamilla Ribeiro, Eliana de Lima, Eva Benedita de Andrade, Maria Helena Candida de Moura, Margarida Barreto, Marisa de Sá, Maura Augusta Soares de Oliveira, Neon Cunha, Regina Paula Thomaz, Rosa Maria Virgolina da Silva (Doné Oyassy), Ryane Leão, Sheila Ventura Pereira e o Instituto Preta Pretinha.

"É uma medalha da diver­sidade, porque você encontra não só mulheres negras, mas mulheres que têm uma história de participação, de coragem, de luta. São tão ou mais importantes do que eu, enquanto parlamentar; são de associações de moradores, operárias de fábricas, médicas, juristas, ativistas, artistas", afirmou Leci Brandão.

Ryane Leão, professora e poeta cuiabana, é fundadora de uma escola focada no ensino de inglês afro centrado para mulheres negras. A jovem frisou a importância e a complexidade do trabalho em comunidades: "Temos muito a fazer, muita história pra ouvir. É uma vivência coletiva, escutando nossas irmãs".

Lembrou também que o reconhecimento de uma mulher é lento, principalmente para afrodescendentes. "Nós, mulheres pretas, demoramos muito para termos nossos trabalhos reconhecidos, ou nossas homenagens são póstumas. Então é muito importante termos mulheres negras vivas sendo homenageadas."

A publicitária e funcionária da prefeitura de São Bernardo do Campo, Neon Cunha, ressaltou que ser uma mulher negra é um projeto político de revolução, pois, apesar de toda a elaboração social, o Brasil ainda é um país com tradições coloniais. "É uma honra ser homenageada pela Leci Brandão, uma mulher preta, de cabelo curto e colorido, em um parlamento extremamente conservador. Nossa vida cotidiana é um projeto de novo mundo, ou melhor, de permanência das mulheres negras no mundo."

Para Neon, o fato de ser transgênera é mais um fator a ser enfrentado. "Não dá pra fugir dessa luta, uma mulher preta não consegue a invisibilidade de uma mulher branca. E quando você tem essa ilusão de invisibilidade, vem a tensão: quando vou ser detectada? Na condição de mulher trans, você pensa: como vou a consulta médica? Toda vez tenho de explicar para o médico que esse corpo foi catalogado como outro corpo, e que esta mulher tomou de posse este corpo."

Neste ano, a medalha agregou o reconhecimento público a uma personalidade importante da história dos movimentos sociais "in memorian". Lelia Gonzalez é o primeiro nome a batizar uma edição do prêmio.

Theodosina Rosário Ribeiro

Formada em direito pelo Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de Mogi das Cruzes, Theodosina Rosário Ribeiro nasceu em 29 de maio de 1930, na cidade de Barretos. Eleita em 1970 como a segunda mais votada, foi a primeira vereadora negra da Câmara Municipal de São Paulo. Já em 1974, foi eleita a primeira deputada negra da Alesp, e ocupou o cargo de vice-presidente ao longo de três legislaturas.

A ex-deputada, que inspirou inúmeras mulheres negras, compareceu à cerimônia e ressaltou a importância de transmitir bons princípios à população. "Eu quero colaborar com as pessoas, principalmente com a nossa comunidade negra, para que se lembrem de que podem vencer na vida."

Edição Lélia Gonzalez

A sétima edição da solenidade traz o nome de Lélia Gonzalez, nascida em 1º de fevereiro de 1935, em Minas Gerais. Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1942, onde conseguiu seu primeiro emprego como babá. Graduada em história e filosofia, foi professora da rede pública e concluiu seu mestrado em comunicação social. Em seguida, completou seu doutorado em antropologia política e social em São Paulo, e passou a se dedicar a pesquisas sobre temática de gênero e etnia.

Foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU) e do Coletivo de Mulheres Negras N"Zinga, e participou também de movimentos e organizações como o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN) e da fundação Olodum, de Salvador. Devido à sua atuação em defesa da mulher negra, foi indicada para membro do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) e atuou de 1985 a 1989. Foi suplente na Câmara Federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em 1982, e pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) em 1986, dessa vez, como suplente de deputada estadual. Faleceu no Rio de Janeiro, em 10 de julho de 1994, devido a problemas cardíacos.

Ler 78 vezes Última modificação em Terça, 12 Março 2019 17:50

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