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Segunda, 04 Dezembro 2017 22:38

Em artigo, Moisés da Rocha conta a história do Dia do Samba

Radialista e Pesquisador Moisés da Rocha Radialista e Pesquisador Moisés da Rocha Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

O produtor, pesquisador e radialista Moisés da Rocha escreveu um artigo publicado na Revista Raça (Ed.185) sobre a origem das comemorações do Dia do Samba e aborda curiosidades sobre a data que, segundo Rocha, surgiu de forma orgânica e natural. O Projeto de Lei 425/2016, de autoria da deputada estadual Leci Brandão, declara o programa “O Samba Pede Passagem” um patrimônio cultural imaterial de São Paulo. Apresentador do programa “O Samba Pede Passagem”, da Rádio USP FM, desde 1978, Moisés da Rocha demonstra a importância do samba para a cultura popular brasileira e mostra os caminhos ainda hoje percorridos por sambistas de todo o país para que o Dia do Samba seja instituído nacionalmente por Lei. Leia o artigo na íntegra.

Origem do Dia do Samba

Por Moisés da Rocha – 01/07/2016 - Ed. 185 da Revista Raça

Todos os anos, o dia 2 de dezembro é lembrado – e cada vez menos comemorado – como o Dia do Samba, muitos chegando até a denominá-lo erroneamente como o Dia Nacional do Samba. Mas afinal, quem criou ou sugeriu esta data? Como tudo começou? Para responder a essas questões, fomos consultar uma testemunha ocular dessa história. Um jornalista negro que, apesar dos avanços tecnológicos dos meios de comunicação, foi esquecido e amarga a solidão provocada pela ignorância e desinteresse dos órgãos oficiais e de seus próprios pares. Estamos falando de J. Muniz Jr., pseudônimo de José Muniz Junior. Segundo ele, existe uma versão de que a data que consagra o samba teria surgido na Bahia, relacionada a uma visita do compositor Ary Barroso, mas até hoje não foi divulgado nenhum documento concreto a respeito. Oficialmente, a data foi reconhecida por um decreto no Rio de Janeiro.

Morador de Santos desde 1938, destacou-se como autor de vários livros sobre a história da cidade, principalmente sobre a cultura afro-brasileira. Representando o Samba da Baixada Santista, participou do Primeiro Congresso Nacional do Samba, no Rio de Janeiro, em 1962, sob a chancela da Campanha De Defesa do Folclore Brasileiro do Conselho Nacional de Cultura, da Ordem dos Músicos do Brasil, da Confederação Brasileira das Escolas de Samba e da Associação das Escolas de Samba. Esse evento foi realizado no Palácio Pedro Ernesto, presidido pelo professor Edison Carneiro, tendo como vice-presidentes o compositor Ary Barroso, o sambista imortal Ernesto “Donga” dos Santos, a cantora Araci de Almeida,o radialista Henrique Foréis “Almirante” Domingues e demais representantes das Entidades anteriormente mencionadas. Como integrantes das comissões, lá estavam, entre outros notáveis, os músicos Alfredo da Rocha Viana Filho “Pixinguinha”, Paulo Tapajós, Marília Batista, os jornalistas e escritores José Ramos Tinhorão, Sergio Cabral e Haroldo Costa, além de inúmeras personalidades relacionadas ao mundo do samba (compositores, intérpretes e estudiosos da MPB).

Na ocasião, o Deputado Anésio Frota Aguiar apresentou, na Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara, o Projeto de Lei número 681, de 19 de novembro de 1962, que instituía o dia 2 de dezembro como data consagrada ao samba. Segundo o proponente, o Dia do Samba surgiu por iniciativa do presidente da Associação Brasileira das Escolas de Samba, Servan Heitor de Carvalho, “visto que, nesta data, na época, começavam por determinação legal os ensaios das referidas escolas, visando o carnaval do ano seguinte”.

Ao justificar sua proposição, o deputado enfatizou: “O Dia do Samba” evoca, por conseguinte, uma efeméride de maior significação e representa, ao mesmo tempo, uma justa homenagem a todos quanto, com entusiasmo e obstinação invulgar, vivem lutando para preservar as verdadeiras raízes da nossa cultura popular, mantendo e transmitindo de geração em geração formas espontâneas de aculturação, cuja importância, como no caso do samba, transcende ao chamado tríduo de momo e se vincula, em caráter permanente, a um fabuloso e autêntico folclore nacional”. Ainda segundo J.Muniz Jr., foi o renomado jornalista carioca Jota Efegê que escreveu a respeito: “Percorridos os trâmites de praxe, a proposta subiu ao governador do estado para tornar-se um dispositivo legal. A esperada sanção, no entanto, não foi obtida. Num despacho onde dizia: Não há razão para considerar outro Dia do Samba, além dostrês já dedicados à nossa festa popular”.

Apesar da rejeição do governador Carlos Lacerda, a luta pelo Dia do Samba prosseguiu na Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara, através do eminente deputado Frota Aguiar. Durante o II Congresso Nacional do Samba, realizado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1963, foi expedido um boletim recomendando que o Dia do Samba fosse comemorado condignamente, “com o repicar dos sinos, o roncar das cuícas e com uma alvorada de 21 (vinte e uma) batidas no surdo”, em todos os redutos de samba da Guanabara e de todo o país, inclusive pelas emissoras de rádio. No ano de 1964 finalmente aconteceu o reconhecimento oficial, conforme relata o cronista Jota Efegê. “Os sambistas de rija têmpera, esbordoados e esnobados, viram triunfar o seu desejo, com a rejeição da negativa. Derrubado o veto pela Assembleia Legislativa, tinha-se a consequente promulgação da Lei... que, desde então, dava ao samba uma data, um dia”. A seguir, o texto do Decreto-lei que oficializou o Dia do Samba no Estado da Guanabara e que se expandiu por todo o país:

“O presidente da Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara, nos termos do artigo 11, parágrafo terceiro da Constituição do Estado, promulga a lei 681, de 1962, que, vetada totalmente, foi mantida pela Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara”.

Art. 1 – Fica o dia 2 de dezembro oficialmente considerado o “Dia do Samba”.
Art.2 – Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara, 29 de julho de 1964. “Vitório Jones, Presidente”.

Desde então, J. Muniz, ao lado de Osvaldinho da Cuíca e outros defensores da nossa cultura popular, continuam lutando para estabelecer lei federal que oficialize o dia 2 de dezembro como o Dia Nacional do Samba!

Fonte: 50ª Comemoração do Dia do Samba em Santos-SP, “Registro Histórico” – Livreto de autoria de J. Muniz Jr. e colaboração de Osvaldinho da Cuíca.

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