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Quinta, 24 Agosto 2017 22:01

Leci Brandão: símbolo de luta e resistência

Escrito por Nina
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Conheça um pouco da trajetória da deputada Leci Brandão, que fez da arte e da política campos de luta contra injustiças e preconceitos, trazendo esperança e tornando-se uma referência para muitos homens, mulheres, jovens e crianças de comunidades e periferias do país.

A ARTISTA

“Estamos diante de um desses raros fenômenos que levam anos para surgir em nossa música, mas que, quando surgem, como é o caso de Leci Brandão, a gente verifica que valeu a pena esperar”. Foram estas as palavras do crítico musical e jornalista Sérgio Cabral escritas para a apresentação de capa do premiado disco “Antes Que Eu Volte a Ser Nada”, lançado em 1975, quando a música título do álbum foi apresentada no festival Abertura da Rede Globo, sendo este o ponto de partida da belíssima carreira musical de Leci Brandão. Descoberta por Sérgio Cabral em 1973, na época em que ela cantava no lendário Teatro Opinião do Rio de Janeiro, sob o comando musical de Jorge Coutinho, Leci demostrou logo que tinha muito a dizer.

Imagem: capa do primeiro disco de Leci

Imagem site lecibrandao.net (Fã Clube Oficial): 1975 – Leci participava do Festival ABERTURA da Rede Globo e é finalista com o samba “ANTES QUE EU VOLTE A SER NADA”

Leci Brandão da Silva nasceu em 12 de setembro de 1944 no bairro carioca de Madureira. Foi criada em Vila Isabel e entra para a história, também, como a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores da Mangueira, em 1972, sendo uma das escolas de samba mais tradicionais do Brasil, berço de mestres como o Cartola. Leci vem de família humilde e começou a trabalhar ainda muito jovem para ajudar no orçamento familiar, “já limpei muita sala de aula com minha mãe”, costuma lembrar. Trabalhava durante o dia e estudava à noite. Já foi telefonista, operária de fábrica e funcionária da Faculdade Gama Filho, onde chegou a ocupar um cargo de chefia. Mas, a música sempre fez parte da vida de Leci e desde muito cedo (19 anos) ela já começou a compor. Depois do primeiro disco, nunca mais deixou de se dedicar à música. Ao longo de sua carreira, Leci gravou 13 LP's, 8 CD's, 2 DVD's e 3 compactos, um total de 26 obras, além de diversas participações e constar em coletâneas essenciais da música popular brasileira.

Leci BrandãoImagem: Leci e Cartola, programa Ensaio da TV Cultura, 1974Imagens: Dona Ivone Lara, Gisa Nogueira e Leci Brandão, Projeto Pixinguinha, 1980

Imagens: Dona Ivone Lara, Gisa Nogueira e Leci Brandão

Leci BrandãoAlcione, Clara Nunes e Leci Brandão

Durante alguns anos, a cantora ficou sem gravar por questões políticas. As gravadoras não aceitavam suas canções cujas letras denunciavam as agruras sociais do povo e do país em forma de crônica. A questão social, que sempre esteve presente em sua obra artística, a fez rescindir um contrato com a gravadora Polygram, em 1981, por terem tentado censurar seu trabalho se negando a gravar suas canções, entre as quais ‘Zé do Caroço’ que é um de seus maiores sucessos. Participou do Festival MPB-Shell promovido pela Rede Globo, em 1980, com a música "Essa Tal Criatura". Em 1985, gravou "Isso É Fundo de Quintal". Em 1995, foi a intérprete do samba-enredo da Acadêmicos de Santa Cruz durante o carnaval. Atuou na telenovela Xica da Silva da TV Manchete como Severina, que foi ao ar entre 1996 e 1997. No mesmo período, Leci também atuou ao assumir o papel da personagem Severina na novela Xica da Silva, escrita por Walcyr Carrasco e dirigida por Walter Avancini A telenovela foi exibida pela TV Manchete.

Entre 1984 e 1993, Leci foi comentarista dos desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro pela TV Globo. Após uma pausa de seis anos, voltou a comentar o Carnaval carioca de 2000 a 2001. Entre 2002 e 2010 comentou os desfiles das Escolas de Samba de São Paulo pela mesma emissora, quando se consolidou como a voz das comunidades. Em 2004, tornou-se Conselheira da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e membro do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, a convite do então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permanecendo nos Conselhos por dois mandatos, ou seja, por 4 anos.

Já uma cidadã paulistana, teve de se afastar da TV por ter sido eleita deputada estadual por São Paulo, tornando-se a segunda mulher negra a ocupar uma cadeira no parlamento paulista em 180 de existência desta Casa de leis, tendo sido reeleita para um segundo mandato em 2014. Por onde passa, Leci sempre costuma dizer: “Eu devo muito a São Paulo. Foi aqui que eu recuperei a minha vida, minha carreira. Eu devo muito ao povo de São Paulo”.

Alguns dos sucessos gravados por Leci foram “Ombro Amigo”, “Essa Tal Criatura”, “Só Quero te Namorar”, “Olodum Força Divina” (primeiro disco de ouro), “Valeu”, “Bate Tambor”, “Fogueira de uma Paixão”, o disco premiado “Cidadã Brasileira”, “Perdoa” e “Anjos da Guarda”, uma homenagem aos professores e professoras do país, uma das profissões mais admiradas pela sambista.

Leci Brandão

Em 2015 a artista comemorou 40 anos de uma trajetória artística que engrandeceu a música popular brasileira, em especial, o samba. Para celebrar, a artista realizou shows nos dias 5 e 19 de setembro, no Teatro Polytheama (Jundiaí) e no Auditório do Ibirapuera, respectivamente, com participações da Orquestra do Grupo de Referência de Jundiaí do Projeto Guri e de um grupo de adolescentes da Fundação Casa, que executaram a música “Anjos da Guarda” nas duas apresentações, junto com o professor Rodrigo. O show “Leci Brandão: 40 anos de carreira” foi uma celebração a uma das mais importantes cantoras de samba da música popular brasileira. Em 2016, Leci gravou mais um disco, o “Simples Assim”, vigésimo quarto de sua carreira e, em 2017, Leci abriu o desfile da escola de samba campeã do Carnaval, a Acadêmicos do Tatuapé, agremiação da qual Leci é madrinha desde 2012 quando foi tema do enredo da escola. Na ocasião, a Acadêmicos do Tatuapé subiu para o grupo especial.

Crédito: Vanderlei Yuri, show 40 anos auditório do Ibirapuera

Crédito: Vanderlei Yuri, show 40 anos auditório do Ibirapuera

A artista cantou a defesa das minorias, do povo negro, das mulheres e dos trabalhadores. Foi convidada a se apresentar em todos os eventos afinados com sindicalistas, estudantes, periferia, índios, movimentos de mulheres, penitenciárias femininas e masculinas, população LGBT e, principalmente, com o movimento negro. Desde a década de 1980, Leci dedica a última faixa de seus discos a um Orixá como forma de exaltar as religiões de matriz africana e a cultura afro-brasileira de forma direta, transparente e apaixonada. Essa trajetória artística de reverência pela cultura e pela vida do povo brasileiro a fez encontrar, na política, mais uma forma de denunciar e combater as injustiças.

Crédito: Drika Bourquim, show 40 anos de carreira no auditório Ibirapuera

Autor da imagem não identificado

A PARLAMENTAR E O QUILOMBO DA DIVERSIDADE

Enquanto parlamentar, Leci Brandão continua fiel às causas que sempre considerou importantes e pelas quais vêm se dedicando ao longo da vida: igualdade racial, respeito às religiões de matriz africana e à cultura brasileira, inclusão da população negra e indígena, garantia de direitos da juventude, em especial, pobre e negra, direitos das mulheres, do segmento LGBT e incentivo à cidadania. A diferença é que existe uma representação parlamentar legitimada pelo voto, logo, uma atuação institucional. Leci Brandão foi eleita deputada estadual de São Paulo em 2010 pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) com 86.298. Em 2010, foi reeleita com 71.136 votos, reflexo das dificuldades enfrentadas pelo campo da esquerda nas eleições de 2014. “O nosso mandato defende pessoas. Eu nunca fui ligada a associações comerciais, empresas, indústrias ou segmentos específicos de qualquer ordem. Mas sempre defendi o meu povo, o povo negro, as mulheres, as religiões de matriz africana, os moradores das comunidades e periferias. Acho que, por isso, foi muito natural entrar na política porque eu já fazia isso antes, mesmo sem ter plena consciência disso”, explica. Desde que assumiu a “missão” de atuar como deputada, como costuma se referir, Leci apresentou dezenas de proposituras, participou de Frentes Parlamentares e Comissões, ressaltando a defesa de trabalhadores, movimentos sociais e populares, serviços e servidores públicos, cultura brasileira e suas matrizes.

Leci Brandão com sua mãe, Dona Lecy, no dia 15 de março de 2015, cerimônia de posse do segundo mandato de deputada estadual

Nestes anos de Parlamento, destaca-se a atuação de Leci na Comissão de Educação e Cultura e na Comissão de Direitos Humanos. Como presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura no primeiro mandato, a deputada atuou de forma propositiva, realizando audiências e intervindo com veemência na aprovação de medidas que beneficiassem este setor. Entre as propostas relacionadas ao tema, destaca-se o PL 483/2013, que institui o Programa Cultura Viva em São Paulo, e o PL 483/2013, que institui a Política Cultural Paulista, destinada a promover a produção, a difusão e o acesso aos direitos culturais dos diferentes núcleos comunitários de cultura. Neste sentido, o universo do samba foi um dos setores que recebeu especial atenção da parlamentar, sendo tema de debates, audiências e propostas de valorização e reconhecimento do gênero, como os PLs 922 e 923/ 2013, que declara o Samba patrimônio cultural imaterial do Estado e que institui a Semana Estadual do Samba, respectivamente, bem como a produção de materiais alusivos à memória do samba paulista. Outra questão fundamental para o povo de São Paulo foi colocada em destaque pela deputada Leci: o transporte público e a mobilidade a partir do PL 379/2011, assinado em conjunto com o deputado Luiz Claudio Marcolino (PT), que estabelece o funcionamento do Metrô de São Paulo por 24 horas.

Leci Brandão

A deputada também atua em favor da liberdade religiosa apresentando, entre outros, projetos como o PL 1207/2015 que institui o Dia da Umbanda no estado, proposta que causou grande polêmica na Comissão de Constituição e Justiça da Casa, demonstrando o atraso político-ideológico que existe nas instituições democráticas do Estado.

A deputada introduz na ALESP, diariamente, temas como a igualdade racial e de gênero, o combate ao racismo, ao machismo e à homofobia, ressaltando o preconceito e a exclusão social, ainda maiores, sofridas pela população que mora nas periferias. Neste sentido, o projeto de lei 1152/2011 busca instituir o Fundo para a Superação da Discriminação Racial e Promoção da Igualdade Racial no Estado de São Paulo. Os projetos de lei 1207/2015, 360/2015 e 306/2012, que versam sobre o Dia Estadual do Orgulho Crespo, definição do Funk como movimento cultural e musical de caráter popular e a Semana Estadual do Hip Hop, respectivamente, são formas de trazer para dentro das instituições públicas paulistas a cultura negra que brota nas periferias e que merecem respeito e reconhecimento tanto quanto qualquer outra. Ainda neste sentido, a Medalha Theodosina, primeira deputada negra do Estado, foi instituída pela ALESP em 2015 após a aprovação do projeto de resolução 898/2014, proposto pela deputada Leci Brandão. A outorga da Medalha passou a ter caráter permanente e a integrar o calendário anual da Assembleia Legislativa. Reconhecer o trabalho e as ações de mulheres que empoderam, impactam e influenciam decisivamente a vida de pessoas pertencentes a grupos vulneráveis da sociedade é o objetivo da Medalha.

Crédito: Agência ALESP - Leci e Dra. Theodosina Ribeiro/Junho 2015.

Nas questões de gênero, além do combate à violência contra a mulher, a deputada abordou a questão da violência obstétrica a partir dos projetos de lei 436/2015, sobre a obrigatoriedade de universalização da aplicação das normas de saúde atinentes ao parto e nascimento no Estado, 437/2015, instituindo o Pacto Estadual Social para Humanização da Assistência ao Parto e Nascimento em todos os estabelecimentos de saúde do Estado, e o 250/2013, que garante que maternidades, casas de parto e estabelecimentos hospitalares da rede pública e privada de São Paulo permitam a presença de doulas durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, sempre que solicitado pela parturiente. Todas estas propostas foram trazidas por movimentos de mulheres ao mandato.

Ainda como expressão de compromisso com as minorias discriminadas, Leci Brandão conseguiu a aprovação da Lei 15.082/2013, que amplia a rede de atendimento às vítimas de homofobia no Estado de São Paulo. Já PL 998/2015 estabelece parâmetros de acolhimento de LGBTs em privação de liberdade. O projeto prevê que as mulheres transexuais deverão ter tratamento isonômico ao das demais mulheres quando forem detidas por qualquer motivo. Outra proposta é o PL 426/2015 que versa sobre a inclusão do nome social de travestis e transexuais nos registros internos de documentos escolares das instituições de ensino integrantes do Sistema Estadual de Ensino de São Paulo.

Em uma ação de bancada, Leci apresentou o Projeto de Resolução 12/2013, que busca uma reparação histórica anulando a cassação dos 11 parlamentares do Partido Comunista do Brasil na Assembleia Legislativa, ocorrida em 1948.

A deputada Leci Brandão iniciou seu segundo mandato liderando a abertura de três frentes parlamentares. A primeira delas foi a Frente em Defesa da Petrobras, liderada por Leci e pelo deputado Átila Jacomusi, também do PCdoB. A Frente tem como objetivo acompanhar e contribuir para o esclarecimento de todas as denúncias que vêm sendo investigadas sobre crimes de evasão de divisas praticados na empresa, exigir o julgamento e a punição dos responsáveis, mas com a responsabilidade de não paralisar a Petrobras e o setor mais dinâmico da economia brasileira. A defesa dos empregos diretos e indiretos dos trabalhadores e trabalhadoras de ramos importantes e de ponta da empresa nas cidades do estado de São Paulo é um dos focos dessa frente, composta por 32 parlamentares de oito partidos. Leci também lidera a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Juventude, em conjunto com o deputado Caio França (PSB), e a Frente de Combate ao Racismo e em Defesa dos Povos Tradicionais. A Frente em Defesa da Juventude vai promover debates, estudos e campanhas, visando o aprimoramento da legislação e o fortalecimento dos direitos da Juventude, criando alternativas de apoio às políticas públicas já existentes para o jovem cidadão paulista. A Frente de Combate ao Racismo e Defesa dos Povos e Comunidades Tradicionais tem como objetivo ampliar e fortalecer as ações que já vêm sendo implantadas, como o Estatuto da Igualdade Racial, as cotas nas Universidades Públicas e a efetiva aplicação da Lei 10.639.

Hoje, em seu segundo mandato (2015/ 2019), a deputada Leci Brandão é vice-presidente da Comissão de Educação e Cultura e líder da bancada do PCdoB na Assembleia Legislativa de São Paulo. É coordenadora das Frentes Parlamentares em Defesa da Petrobras, dos Direitos da Juventude e da Frente de Combate ao Racismo e Defesa dos Povos e Comunidades Tradicionais. Já teve seu primeiro Projeto de Lei, aprovado pela Assembleia Legislativa em dezembro, sancionado pelo Governo do Estado no início de 2016. Trata-se do o Projeto de Lei nº 752/2011 que veda aos estabelecimentos comerciais a exigência de valor mínimo para compras com cartão de débito e crédito. Com a sanção da Lei Estadual 16.120, nenhum estabelecimento comercial poderá cobrar valor mínimo na compra com cartões porque a regra está explícita em Lei.

O gabinete da deputada Leci Brandão fica no terceiro andar do Palácio 9 de Julho e está aberto a receber “todas as pessoas”, como Leci costuma frisar. Por tudo isso e pelas características que assumiu ao longo destes anos, a deputada apelidou o gabinete do povo de Quilombo da Diversidade.

Crédito: Rafael Berezinski

Mais informações:

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Gabinete da Deputada Leci Brandão – PcdoB/SP

Palácio 9 de Julho

Avenida Pedro Álvares Cabral, 201, sala 3021, 3º andar, Ibirapuera

São Paulo/SP

04097-900

(11) 3886-6790

deputadalecibrandao@gmail.com

 

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